De início, pensei em traçar um paralelo entre SOLIDÃO e BELEZA, porém um outro assunto tem me acompanhado e mereceu entrar na discussão: ESTAR SOLTEIRA. Vejam bem, a condição de estar solteira pode ou não implicar em sentir solidão.Estes assuntos me acompanham há cerca de 2 anos. Ao me conhecerem, sempre me questionam (sem exagero algum): “Como uma mulher tão bonita como você pode estar solteira?”
Sinceramente, cansei de responder a essa indagação. Será que a resposta é tão difícil de se imaginar? Basta lembrar que tantas outras pessoas, tão bonitas quanto eu, estão por aí solteiras (e em alguns casos, bastante solitárias).
Como todos que passam longos períodos solteiros, também já me senti solitária, mesmo estando cercada de amigos e familiares. Cabe somente a mim, saber como me senti, sinto-me e me sentirei, ninguém mais pode responder a isso, então peço aos pseudo-intelectuais que, por favor, parem de tentar manipular e modificar meus sentimentos, pois eles são somente meus.
AVISO IMPORTANTE!!! Quem defende que solidão é tão-somente um sentimento ruim, nem se dê ao trabalho de ler o restante do texto, porque eu prego que a SOLIDÃO NEM SEMPRE É RUIM e, algumas vezes, ELA É NECESSÁRIA AO ENGRANDECIMENTO PESSOAL!
Depois de tantos questionamentos, comecei a me perguntar: pessoas fisicamente bonitas não podem estar solteiras? E pessoas bonitas não têm o direito de sentir solidão? Quem decide isso, eu, você, um terceiro qualquer? Se não formos capazes de ser felizes sozinhos, será que seremos capazes de ser com outro alguém? E seremos capazes de fazer este outro alguém feliz?
Não podemos esquecer nunca que a multiplicidade do ser humano não nos permite fazer generalizações, como se fossem constatações definitivas, sem direito a argumentações e ressalvas. Aprendi cedo que para toda regra, existem exceções. E como existem...
Eu acredito que pessoas bonitas estão solteiras exatamente pelos mesmos motivos que pessoas não bonitas estão: seja porque não encontrou uma pessoa companheira o bastante; seja porque não está pronta para se relacionar novamente; seja porque está curtindo a fase do “ficar”...
Também acredito que qualquer pessoa pode sentir solidão; não é porque a pessoa é fisicamente bonita e vive cercada de pessoas (que não necessariamente a amam como ela merece), que ela não tenha o direito de se sentir só. Para mim, a solidão pode proporcionar o encontro com nós mesmos, nos induz à reflexão e nos ajuda a trilhar o caminho do autoconhecimento.
Infelizmente, vivemos em uma sociedade que condena veementemente a solidão e o ato de estar solteira, como se isso fosse uma aberração. A pessoa solteira (solitária ou não) é vista, muitas vezes, como alguém infeliz. E para nós mulheres, isso é muito mais difícil. Não importa se somos bem sucedidas e estamos felizes, a sociedade entende que somente seremos plenas, quando estivermos acompanhadas.
É quase perigoso viver à mercê do que a sociedade espera de nós. Como diria Sartre, estamos condenados a sermos livres, pois decidir o que fazer com nossas escolhas não é tarefa fácil e gera angústia.
Apesar de estar solteira (mas, no momento, não solitária), acredito nos relacionamentos, entretanto, acho que o ato de namorar ou casar deve partir, sobretudo, de um anseio íntimo e genuíno e jamais de uma cobrança social. Quando não prestamos atenção aos nossos sentimentos e encaramos os relacionamentos de forma mecânica, acabamos pagando um preço muito alto.
O ato de estar solteira pode ser uma opção consciente e trazer muita felicidade. Seja como for, não podemos permitir que terceiros influam num terreno tão íntimo quanto a afetividade e o impacto disso em nossas vidas.
“Eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa no intermédio, pilar na ponte do tédio que vai de mim para o outro”.
Mário de Sá Carneiro