terça-feira, 17 de agosto de 2010

EU SEI... MAS NÃO DEVIA


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que necessita. E a lutar para ganhar dinheiro com que se paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procura de mais trabalho para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma a poluir. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, as besteiras da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios.
E se acostuma a não ouvir os passarinhos, a não colher frutas no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se o fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colasanti)

~~ THE END ~~

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Descrição perfeita!

Atenção!!!
A ariana é diferente das outras mulheres.
Ela é independente, normalmente não precisa de ajuda, é guerreira por natureza; sendo uma líder nata, ela não espera, faz acontecer.
A ariana é nervosa, não pensa muito antes de falar e depois pode ter que encarar uma briga por causa de sua língua afiada. Mas briga é com ela mesma; onde tem uma, há sempre um ariano por perto, nem que esteja botando mais lenha na fogueira.
Depois da briga sempre vem a calmaria, pois a ariana sabe perdoar. Ela nunca é morna, ou está quente demais ou fria demais, quando não se isola, é animadíssima.
A raiva da ariana é uma coisa tão louca que chega a ser engraçada, ela pode puxar seus próprios cabelos, bater portas e jogar panelas.
Ela não é fresca, tem coragem de sobra, enfrenta qualquer situação de cabeça erguida e seu ego é enorme. É também inteligente, sabe aproveitar muito bem a vida, curtindo o hoje como se fosse o último dia.
A mulher de Áries não costuma se casar, pois odeia ficar em casa enquanto o marido toma cerveja no bar assistindo futebol. Ela foi feita pra ir junto e torcer. E outra, ela não quer passar o resto da vida com uma pessoa ciumenta e grudenta.
A ariana sabe que é linda! Afinal, quem resiste ao cabelo sedoso e macio dela, aquela sobrancelha bem desenhada, aqueles olhos brilhantes, que hipnotizam, e aquele sorriso verdadeiro?
Fique ligado, ela ama sexo, então não estranhe se tiverem uma noite intensa, com direito a mordidas e arranhões.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Relacionamentos


Sempre defendo que os relacionamentos amorosos têm início, meio e fim. Como tudo o mais na vida. E fico de cara quando escuto aquela conversa:
- Terminei o namoro.
- Nossa, vocês estavam juntos há tanto tempo...
- Pois é, 5 anos.
- Pena que acabou, não é amiga.
- É, não deu certo...
Como não deu certo? E os 5 anos juntos, foram o que? Nesse período deu certo, só que agora acabou. Romance é como viver, você sabe que tem começo e fim, não sabe quando será o fim, mas sabe que um dia ele vem. O bom da vida é que você pode ter várias histórias e vários amores.
Não acredito que pessoas se completam. Acredito que nascemos, vivemos e morremos inteiros, e acredito também que há pessoas que nos somam alegrias, experiências, sentimentos.
Às vezes você não consegue nem dar 100% de si mesma, como pode se achar no direito de cobrar 100% do outro? Não acha que é muita arrogância querer mudar a outra pessoa, ao invés de aprender a aceitar e conviver com os defeitos alheios, exatamente como se espera que a outra pessoa faça com você?
Vamos parar com essa de idealizar alguém, não existe perfeição, não existe a pessoa ideal, ninguém é tudo ao mesmo tempo. Às vezes é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes é muito bonito, mas não é sensível. Tudo junto não conseguiremos encontrar. O que precisamos fazer é decidir quais defeitos são aceitáveis e quais não são. Perceba o que é mais importante para você e invista nisso.
Pele, química, cheiro é muito traiçoeiro. Quando você tem química com alguém, pode ser o papai-e-mamãe mais básico, que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas não te impressiona. Mas o beijo, ahh ele sim é importante. Se o beijo encaixa direitinho, se joga... Se não, siga adiante. Lembre-se, não existem pessoas insubstituíveis e nada dura para sempre!
Se ele não te quer mais, não force a barra. É direito dele não sentir o mesmo que você. E faça algo por si mesma, ou seja, não se exponha, não brigue, não ligue, não dê piti. Se ele está com dúvidas, problema dele. Cabe a você esperar ou não. Existem pessoas que precisam da ausência para querer a presença.
Ele pode fraquejar, ter dúvidas, sentir medo, mas se realmente gostar de você, ele voltará. Chega de drama. Que graça existe em ter alguém a seu lado sob pressão? O legal é estar com alguém que quer você. Não fique com alguém por pena ou medo da solidão. E entenda que se ele não voltar, é porque nunca gostou de você.
Tem gente que pula de um romance para outro. Que medo é este de estar sozinha, em sua própria companhia? De que adianta estar com alguém que não nos traz felicidade? Namorar só pra dizer que não está só é muito mais triste que estar solteira e assumir sua condição. Claro que não acho certo ficar sentada, assistindo a vida passar, mas forçar um relacionamento também não vale a pena.
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, frustração... Faz parte. Você convive com outra pessoa, outros costumes, outro mundo, onde quase tudo é novo e diferente. E nem sempre as coisas sairão como você gostaria, mas e daí? É o risco do negócio.

Like A Virgin - Glee Version

Mulher moderna?


Fim de semana passado, ouvi uma música da Madonna que me fez escrever este texto. A canção? Depois digo qual é.
Analisando friamente, é muito difícil ser mulher, e pior ainda é ser mulher moderna. O mundo no qual vivemos não nos acompanha. A mulher, especialmente seu comportamento, é sempre motivo de críticas, piadinhas de mau gosto e preocupações, cada um com seu ponto de vista.
Parece brincadeira, daquela que passa 1000 vezes por nossa caixa de mensagens, contudo é a mais pura verdade: mulher quando se dedica, é fraca; quando se mostra independente, é egoísta. Por que somos assunto constante nas bocas femininas e masculinas? Por que, afinal, somos tão incompreendidas? Ah, não sei.
Então onde quero chegar com isso? Sexo. Eis o tema que abordarei. Vejamos...
O homem tem quase uma obrigação de perder a virgindade durante a adolescência, enquanto a mulher deve se manter “pura” o máximo de tempo possível. Só não sabemos quanto tempo seria esse, em outra época era até o casamento, hoje não há como precisar. Por outro lado, se a mulher conta com 25 anos ou mais, os homens esperam que ela já tenha feito sexo com alguém, e mais, que o faça com todos com quem venha a ficar. Patético, não?
Ouvi, certa vez, que é obrigação do homem tentar levar a mulher pra cama, mesmo que seja o 1º encontro, e o que vier depois só depende da atitude que ela vai tomar. Acho tão bonito quando os homens fazem o discurso de que a mulher transar no 1º encontro não tem nada demais. Porém, sabemos bem que a grande maioria (sim, estou generalizando mesmo) não procura essa mesma mulher depois, não importa quem ela é, se deu, já era. Muita hipocrisia! Falso modernismo.
A partir daí, surgem dois grandes dilemas vividos pela mulher. Quando perder a virgindade? Transar ou não no 1º encontro?
Penso como boa parte das mulheres. A 1ª vez tem que ser especial, não é pra ser com qualquer um, mas com “o” cara! Ele pode nem ser o amor da sua vida, aquele com quem você vai passar o resto da vida (isso me lembra algo que escreverei em outra ocasião), mas, naquele momento, ELE É O CARA!
Tive curiosidade e até tesão por alguns homens antes do meu 1º. Mas por que não aconteceu? Porque não eram eles. Não me sentia a vontade, não me sentia especial. Várias amigas haviam me contado como havia sido a 1ª vez delas, falavam que doía, que tiveram dificuldade de ir até o fim, que ficaram envergonhadas, etc e tal, isso me fez segurar um pouco mais, entretanto, tive um namorado com quem me senti segura e fui lá conferir. Foi ótimo, tudo perfeito e não passei por nada que já havia escutado. Detalhe, eu tinha 24 anos.
Não digo que exista idade certa para fazer sexo pela 1ª vez, porém, afirmo que o momento certo existe. Espere até se sentir preparada. O mesmo vale pros homens, chega de se entregar às pressões bestas. Não é o pai, a mãe ou os amigos que sabem quando deve acontecer, mas você, só você! Você aí, que ainda é virgem, não transe porque todo mundo ao seu redor está fazendo, esse momento é seu, espere o tempo necessário.
Para o homem, normalmente, o dilema acaba quando perde a virgindade. Dificilmente ele será alvo de pressão ou de piada. Perdeu, fica subentendido que vai fazer muito sexo, ninguém fica perguntando e também ninguém vai julgá-lo se quiser transar no 1º encontro, é um ato natural.
Contudo com a mulher é totalmente diferente! Ela deixa de vivenciar o dilema da perda da virgindade: encaixar-se no mundo dos sexualmente ativos x agradar os pais; e passa ao dilema de transar com os caras com quem ficar, especialmente de transar no 1º encontro. Por que isso é tão angustiante? Temos medo de ficar com o estigma de fácil. Sejamos sinceros, acontece demais.
Ele pensa: “se ela fez comigo, faz com todos”. Algumas vezes, é verdade, outras não. E daí se a mulher faz sexo no 1º encontro? Somos humanas, do mesmo jeito que os homens sentem desejo, nós também sentimos. Por que o homem pode e a mulher não? Se vocês querem tanto que digamos não, por que nos tentam? Falar que a mulher pode, e esperar que não faça é muita sacanagem.
É fato que os homens querem “ganhar” a noite, mas, ao mesmo tempo, julgam nossas atitudes. É certo que não ser virgem, não significa sair transando com todo cara que aparecer, você tem o direito de escolher, de dizer NÃO; e, por favor, homens, não perguntem se somos virgens, é ridículo responder a isto, como diriam os ingleses “it isn’t your bussiness”.
Agora vem a maior lição. Você, mulher adulta, segura e independente, ao sentir muito desejo por alguém que acabou de conhecer, entenda que não há pecado, imoralidade ou crime algum em se propiciar momentos de satisfação. Dane-se se ele não vai ligar no dia seguinte. Dane-se se ele vai julgar errado. Pense que a vida é uma só e não há espaço para arrependimentos. Aliás, quem perde é ele, perde de conhecer alguém tão interessante como você, e por puro e bobo preconceito.
Fácil? De entender, sim. De colocar em prática, nem tanto. Hoje você até pode aguentar não receber a ligação daquele carinha que conheceu, mas com o próximo pode não se sentir do mesmo jeito. Mais uma vez, cabe a você saber até onde ir, o que vai suportar. Não se dê um fardo maior que aquele que possa carregar.
E vocês, homens, façam o favor de parar de dizer que somos complicadas. Nossa caminhada é muito mais pesada que a de vocês, pois não somos julgadas somente por vocês, mas por nós mesmas. Temos que matar um leão diariamente, algumas vezes, mais de um leão por dia!
Quase esqueço, a música é “What it feels like for a girl”.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sexo, coisas & tal

Debate pertinente sobre sexo virtual e fantasias sexuais.
Vejam a sessão "verdade ou mentira".
Muito interessante!!!

O primeiro encontro...

Três vídeos muito interessantes que falam do primeiro encontro.

Por que dar no primeiro encontro? (por Mhel Marrer) - Visão cômica.


Papo Calcinha debate o que pode rolar no 1º encontro.


Vídeo Chic (com Gloria Kalil) - Dicas para os homens.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

1 ou 2 tragédias?


Bernard Shaw escreveu certa vez:
"Existem 2 tragédias na vida. Uma é perder o que o seu coração deseja. A outra é conseguir."

As tragédias acontecem. O que fazer então? Desistir? Fugir? Não.
Agora entendo que quando você se magoa, precisa lutar para garantir que continue vivo. Porque você está vivo. E a dor que você sente... É a vida.
A confusão e o medo? São para lembrar que em algum lugar existe algo melhor. E que vale a pena lutar por isso.
Perder o que o coração deseja é sim uma tragédia, mas obter o que deseja é tudo o que se pode esperar.
Para este ano, eu desejei ter um amor. Entregar-me a alguém e despertar o coração que temia sentir.
Se obter isso for trágico, então prefiro a tragédia. Porque não trocaria isso por nada no mundo.

A vida é agora!


Um dia desses, peguei-me pensando por qual motivo as pessoas estão sempre na mesma, reclamam do rumo que suas vidas tomaram, mas fazem nada para mudar tal situação, além de ficar no blá-blá-blá...
Cheguei à seguinte conclusão:
As pessoas não mudam.
Elas até podem.
Mas não o fazem, pois é mais fácil não mudar.
O fato é que estamos sempre esperando pelo começo de nossas vidas. (e esse começo nunca vem)
Esperamos ser outra pessoa, algum dia...
Mas afinal, pelo que estamos esperando mesmo?
Esperar pra que? Por quem?
E se passarmos a vida inteira apenas esperando e nada acontecer?
Só temos o agora, então, porque fugir disso?
Olha, não sei quanto a vocês, mas minha vida acontece agora e eu não posso abandonar isso.
Eu não quero abandonar.
Já perdi muita coisa nesse caminho, agora não posso perder mais.
Eu quero viver tudo que se apresenta pra mim, hoje, agora, no exato momento que as coisas acontecem.
Aliás, não quero apenas, eu estou vivendo.
E você?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

RECICLAGEM EM NATAL - RN



Já temos onde deixar:


A) Pilhas e baterias em geral – todas as unidades do Banco Real e do Supermercado Nordestão.
As pilhas e baterias de celulares, câmeras digitais, controle remoto, relógios, entre outros contêm materiais que contaminam o solo e os lençóis freáticos deixando-os impróprios para utilização, podendo provocar problemas à saúde, como danos para os rins, fígado e pulmões. São eles: cádmio, mercúrio, níquel, chumbo.




B) Óleo de cozinha usado – todas as unidades dos Supermercados: Extra, Hiper Bompreço e Nordestão.
Você sabia que apenas 1L de óleo despejado no esgoto polui cerca de 1 milhão de litros de água ou o que uma pessoa consome em 14 anos de vida? E, ainda, que provoca a impermeabilização dos leitos e terrenos próximos, contribuindo para a ocorrência de enchentes?
Todo óleo de cozinha coletado será encaminhado pela cooperativa às empresas recicladoras, que o utilizarão como matéria-prima para a produção de biocombustível.



Como fazer: depois que o óleo usado esfriar, armazene em uma garrafa PET daquelas de 2L, se possível transparente, tampe bem a garrafa e deposite-a no coletor de lixo de cor marrom, indicado para esta finalidade.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Carvalho ou Salgueiro?


Dia desses, vi a entrevista de uma mulher de 94 anos, corpo de 64 e alma de 34, dizer que o segredo da sua longevidade era “saber a hora de ser carvalho e a hora de ser salgueiro”.
Ela repassou lances nos quais se curvou humildemente à força dos fatos. “igual a um salgueiro, que deixa a tempestade abaixá-lo quase ao chão para depois se reerguer, intacto”.
Já em outras situações, enfrentou tudo e todos. “Fui carvalho: inflexível, resistente”.
Ao ser perguntada quando ser um ou outro, ela respondeu: “Na maioria das vezes, seja salgueiro. É mais fácil do que pensam, basta focar no melhor para você e não para o seu ego ou para o que pensam a seu respeito. Agora, quando o mundo tentar que você venda a sua verdade ou prejudique quem quer que seja, em qualquer nível, carvalho neles!”
É preciso dizer muito mais?
Com minha mania de equilíbrio, andei pensando se não posso ser um pouco salgueiro e um pouco carvalho, humilde e forte ao mesmo tempo. Mas aí me veio uma luz, do tipo ‘eureka!’, posso sim ser equilibrada e somente em momentos extremos, adotar uma postura extrema.

Até onde você vai?


Um rapaz pediu a Jesus um emprego e uma mulher que o amasse muito.
No dia seguinte, abriu o jornal e tinha um anuncio de emprego.
Ele foi até lá, viu a fila muito grande e disse pra si mesmo ”eles são melhores que eu”, e foi embora.
No caminho, um garoto lhe deu uma rosa, mas, no ônibus, ele, chateado, jogou-a fora.
Ao chegar a casa brigou com Jesus “É assim que me tratas? É assim que me amas?”
Foi dormir e em sonho, Jesus lhe disse “O emprego era seu, mas você não confiou e desistiu antes mesmo de lutar; aquela rosa fui eu quem inspirou aquela criança a lhe dar, o amor da sua vida estava sentada ao seu lado, em vez de você dar a rosa a ela, jogou fora.”
E você aí, entendeu como Jesus age em sua vida?
Ele abre as portas e mostra o caminho, mas sua fé é tão pequena, que desiste no primeiro obstáculo.
Não desista confie que Jesus pode agir em sua vida.
Os obstáculos existem para ver até onde vai sua fé!

Infelizmente, alguns perdem a fé em Deus quando não entendem os motivos de certos acontecimentos. Mas acreditem, Deus está aqui para todos nós, mesmo quando duvidamos d'Ele, e Ele sabe o que faz!

Shalom!

Repaginada

Caros leitores, estive reorganizando minha vida no último mês. E só agora pude vir aqui e dar “cara” nova ao blog.
Tentei deixá-lo mais suave, pois nesse momento é como me sinto, então, chega de escuridão, que venham as cores!!!
Espero que gostem da nova fase.
E como texto de retomada, eis o primeiro...



Viver dá trabalho!

Conforme-se, não existe vida fácil.
Nem pense em argumentar que rotina de ‘top model’ é puro glamour ou que atriz de Hollywood come, dorme e respira luxo.
Os caminhos de uns são sim infinitamente mais convidativos que os de outros, mas nem por isso se revelam mais simples de trilhar.
Toda trajetória tem um custo; vide as modelos anoréxicas ou as divas de cinema com sucessivos - e públicos - fracassos afetivos.
Agora me responda: estar no lugar de qualquer pessoa de sua admiração seria menos complicado do que viver sua própria vida?
Acho muito difícil dar uma resposta segura, pois, em alguns aspectos, seria sim, já em tantos outros, não…
Então, naqueles momentos em que o jogo parece duro além da conta pro seu lado, não perca tempo em invejar a partida alheia.
Concentre-se em sua própria trajetória, em enfrentá-la sem essa de “desisto, assim não dá!”.
A tal da felicidade não é fácil de ser alcançada, mas também não é impossível de ser vivenciada.
Tenha em mente uma coisa: a felicidade não é feita de facilidades, mas sim, e sobretudo, de dificuldades superadas!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nossos Velhos


Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora se dedicam a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe.
(Martha Medeiros)

Você sabe por que a aliança é usada no 4º dedo?

Segundo uma lenda chinesa... Os polegares representam os pais, os indicadores representas os irmãos e amigos, o dedo médio representa a si mesmo, o dedo anular (4º dedo) representa o cônjuge e os dedos mindinhos representam os filhos.
Agora vamos ao mais interessante, provar que a lenda tem fundamento.
Primeiro juntes suas mãos, palma com palma, depois una os dedos médios de forma que fiquem os nós com os nós, assim como mostra a imagem abaixo:


Agora tente separar de forma paralela os polegares (pais); você perceberá que se abrem, porque seus pais não estão destinados a viver com você ate o dia de sua morte. Una-os novamente.
Agora tente separar da mesma maneira os dedos indicadores (irmãos e amigos); você perceberá que também se abrem, pois eles se vão e têm destinos diferentes, como casar e ter filhos.
Tente agora separar da mesma forma os dedos mindinhos (filhos), estes igualmente se abrem, haja vista que os filhos crescem e quando já não precisam mais de você, também se vão. Una-os novamente.
Finalmente, trate de separar os seus dedos anulares e você se surpreenderá ao ver que simplesmente não consegue separá-los. Isso acontece porque um casal está destinado a permanecer unido até o último dia de sua vida. E é por isso que a aliança é usada neste dedo.

Gente Fina


Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa. Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto. Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona. É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém. Tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera. O que mais se pode querer?
Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo para colocar areia no projeto dos outros. Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.
Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.
(Martha Medeiros)

Pensamento


“Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto.”
Clarissa Pinkola

Grandes Lições

Se um cachorro fosse o seu professor, você aprenderia coisas assim:
*Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.
*Nunca perca uma oportunidade de ir passear.
*Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
*Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.
*Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
*Corra, pule e brinque todos os dias.
*Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.
*Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
*Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e deite debaixo da sombra de uma árvore.
*Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
*Não importa quantas vezes o outro te magoa, não se sinta culpado, volte e faça as pazes novamente.
*Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
*Se alimente com gosto e entusiasmo.
*Coma só o suficiente.
*Seja leal.
*Nunca pretenda ser o que você não é.
E o MAIS importante de tudo:
*Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por perto e mostre que você está ali para confortar.
(Autor Desconhecido)

A amizade verdadeira não aceita limitações. E nós precisamos aprender isto com um animal que dizem ser irracional!

“Era um conceito interessante que só então, após a morte dele, eu compreendia inteiramente. Marley como mentor. Como professor e exemplo. Seria possível para um cachorro — qualquer cachorro, mas principalmente um absolutamente incontrolável e maluco como o nosso — pudesse mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida? Eu acreditava que sim. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham importância. Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. Enquanto eu escrevia a coluna de despedida para Marley, descobri que tudo estava bem à nossa frente, se apenas pudéssemos ver. Às vezes, era preciso um cachorro com mau hálito, péssimos modos e intenções puras para nos ajudar a ver.”
(Trecho do livro Marley & Eu – John Grogan)

Ser solteiro é bom demais

O psiquiatra decreta a morte do amor romântico e diz que a vida de solteiro é um caminho viável para a felicidade (Por Duda Teixeira – Veja On Line)



“Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o amor e a individualidade, opte pelo segundo.”

Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo. Por meio de mais de 8.000 pessoas atendidas, assistiu ao impacto da chegada da pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição das famílias contemporâneas, que agregam pessoas vindas de casamentos do passado. Suas reflexões sobre o amor ao longo de esse tempo foram condensadas no seu 26º livro, Uma História de Amor… com Final Feliz. Na obra, a oitava sobre o tema, Gikovate ataca o amor romântico e defende o individualismo, entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio. Tendo sido um dos primeiros a publicar um estudo no país sobre sexualidade, atuou em diversos meios de comunicação, como jornais e revistas e na televisão. Atualmente, possui um programa na rádio, em que responde perguntas feitas por ouvintes. Aos 65 anos, ele atendeu a reportagem de Veja em seu consultório no elegante bairro dos Jardins, em São Paulo.

Veja – O senhor diria para a maioria das pessoas que o casamento pode não ser uma boa decisão na vida?
Gikovate – Sim. As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação.

Veja – Ficar sozinho é melhor, então?
Gikovate – Há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, aquele “vazio no estômago” por estarem sozinhos, resolvem a questão sem ajuda. Mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Com um pouco de paciência e treino, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que “é impossível ser feliz sozinho”. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos.

Veja – Por que os casamentos acabam não dando certo?
Gikovate – Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim, recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

Veja – Viver sozinho não seria uma postura muito individualista?
Gikovate – Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes. Outros dizem que o individualismo é liberal e até mesmo de direita. Eu não penso assim. O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo.

Veja – Por que os casamentos normalmente ocorrem entre egoístas e generosos?
Gikovate – A idéia geral na nossa sociedade é a de que os opostos se atraem. E isso acontece por vários motivos. Na juventude, não gostamos muito do nosso modo de ser e admiramos quem é diferente de nós. Assim, egoístas e generosos acabam se envolvendo. O egoísta, por ser exibicionista, também atrai o generoso, que vê no outro qualidades que ele não possui. Por fim, nossos pais e avós são geralmente uniões desse tipo, e nós acabamos repetindo o erro deles.

Veja - Para quem tem filhos não é melhor estar em um casamento? E, para os filhos, não é melhor ter pais casados?
Gikovate – Para quem pretende construir projetos em comum – e ter filhos é o mais relevantes deles – o melhor é jogar em dupla. Crianças dão muito trabalho e preocupação. É muito mais fácil, então, quando essa tarefa é compartilhada. Do ponto de vista da criança, o mais provável é que elas se sintam mais amparadas quando crescem segundo os padrões culturais que dominam no seu meio-ambiente. Se elas são criadas pelo padrasto, vivem com os filhos de outros casamentos da mãe, mas estudam em uma escola de valores fortemente conservadores e religiosos, poderão sentir algum mal-estar. Do ponto de vista emocional, não creio que se possa fazer um julgamento definitivo sobre as vantagens da família tradicional sobre as constituídas por casais gays ou por um pai ou mãe solteiros. Estamos em um processo de transição no qual ainda não estão constituídos novos valores morais. É sempre bom esperar um pouco para não fazer avaliações precipitadas.

Veja – Que conselhos você daria para um jovem que acaba de começar na vida amorosa?
Gikovate – É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.

Veja – As mulheres são mais ansiosas em casar do que os homens? Por quê?
Gikovate – As mulheres têm obsessão por casamento. É uma visão totalmente antiquada, que os homens não possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revista Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal acontece por razões derivadas da tradição cultural. No passado, o casamento era do máximo interesse das mulheres porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmente aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as protegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, entendiam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acompanhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e independentes economicamente.

Veja – Como será o amor do futuro?
Gikovate – Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso.

Veja - Quando duas pessoas decidem morar juntas, a individualidade não sofre um abalo?
Gikovate – Não necessariamente elas precisarão morar juntas. Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes.

Veja – É possível ser fiel morando em casas ou cidades diferentes?
Gikovate – A fidelidade ocorre espontaneamente quando se estabelece um vínculo de qualidade. Em um clima assim, o elemento erótico perde um pouco seu impacto. Por incrível que pareça, essas relações são monogâmicas. É algo difícil de explicar, mas que acontece.

Veja – Com o fim do amor romântico, como fica o sexo?
Gikovate – Um dos grandes problemas ligados à questão sentimental é justamente o de que o desejo sexual nem sempre acompanha a intimidade efetiva, aquela baseada em afinidade e companheirismo. É incrível como de vez em quando amor e sexo combinam, mas isso não ocorre com facilidade. Por outro lado, o sexo com um parceiro desconhecido, ou quase isso, é quase sempre muito pouco interessante. Quando acaba, as pessoas sentem um grande vazio. Não é algo que eu recomendaria. Hoje, as normas de comportamento são ditadas pela indústria pornográfica e se parece com um exercício físico. O sexo então tem mais compromisso com agressividade do que com amor e amizade. Jovens que têm amigos muito chegados e queridos dizem que transar com eles não tem nada a ver. Acham mais fácil transar com inimigos do que com o melhor amigo. Penso que, com o amadurecimento emocional, as pessoas tenderão a se abster desse tipo de prática.

Veja – As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a tomar as decisões corretas?
Gikovate – No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70, as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades.

Veja – O senhor já escreveu colunas para jornais, revistas, atuou na televisão e agora tem um programa na rádio. O senhor se considera um marqueteiro?
Gikovate – Sempre gostei de trabalhar com os meios de comunicação. Psicologia não é assunto para especialistas, mas de todo mundo. Faço essas coisas também porque é uma forma de entrar em contato com um público diferente do que eu encontro normalmente. Na rádio, respondo perguntas de gente tacanha, que jamais teriam condição de pagar uma consulta. Estão em um outro patamar financeiro. Mas o que dizem, é ouro puro. As colunas e programas de rádio que eu faço não me trazem clientes. Às vezes, só atrapalham. Em 1982, aceitei trabalhar com o Corinthians. Era a democracia corinthiana. Foi um balde de água fria na clínica. Imagine só, o Corinthians! Não foi o tipo de notícia que meus pacientes gostaram de ouvir. Eu fiquei lá dois anos. Meu pai ficava chocado com essas coisas, porque naquele tempo médico de bom nível não fazia essas coisas. Não estava nem aí. Quando eu me interesso por alguma coisa, eu vou. No mais, se eu fosse um simples marqueteiro, não teria durado 41 anos.

Veja – Apesar de todo esse tempo de clínica, o senhor atuou sozinho, longe das universidades. Por quê?
Gikovate – O mundo acadêmico está cheio de papagaios, que repetem fórmulas prontas. Citam sempre outros pensadores, mas nunca vão a lugar algum. Não têm coragem para disso. Esse universo, do qual eu acabei me afastando, é extremamente conservador. Não são eles que produzem as novas idéias. Muitos fingem que eu não existo. Diziam à pequena que eu era um cara muito pragmático, que levava em conta muito os resultados, o que é verdade. Os que mais gostam do que eu faço não são da minha área. São os filósofos, como o Renato Janine Ribeiro e a Olgária Matos. De minha parte, eu sempre fugi dos rótulos. Não me inscrevi membro da Sociedade de Psicanálise. Não sou membro de qualquer sociedade dogmática. Não sou sócio de nenhum clube. Sou uma pessoa de mente aberta. Nunca quis discípulos. Os meus discípulos, se um dia existirem, pensarão por conta própria. Se tiverem um monte de opiniões diferentes das minhas, seria ótimo.